Fotos e vídeos comprovam que presos em manifestação não portavam explosivos

Após o término da manifestação de ontem, 23, em São Paulo, Fábio Hideki Harano e Rafael Marques Lusvarghi foram presos por policiais civis, sob a acusação de associação criminosa, incitação ao crime e porte de explosivo, consistente em suposta posse de um coquetel molotov. Segundo o Secretário de Segurança Fernando Grella, “Eles estão presos porque são os primeiros casos de ‘black blocs’ presos em flagrante por incentivar a prática de crimes. É a resposta da lei para esses indivíduos”

No vídeo abaixo, há a filmagem da prisão de Fábio. A contextualização da imagem, feita do início ao fim, a eleva ao patamar de prova judiciária, inclusive para padrões internacionais. Curiosamente, a revista pessoal realizada por mais de dois policiais não encontrou qualquer objeto ilícito, muito menos um explosivo.

Já Rafael, foi detido por quatro policiais com extrema brutalidade. Não estava de mochila e sua saia não possuía qualquer bolso capaz de esconder tamanha bomba. O vídeo de sua prisão também não revela nenhuma apreensão de artefato explosivo.

Veja o vídeo do momento da prisão e em seguida repare bem na galeria de fotos, em momento nenhum ele se utilizou de mochila ou meio que comportasse a guarda de artefatos explosivos.

This slideshow requires JavaScript.

No entanto, à noite, já no DEIC – delegacia responsável pelo inquérito das manifestações – “surge” um explosivo nos objetos de ambos. A acusação torna-se mais que estúpida, talvez criminosa, isto é, a possível realização de flagrante forjado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.

O Secretário de Segurança Pública, que em frente às câmeras, mais uma vez, vangloriou-se da “exitosa” ação policial, também é o responsável pelos rumos da corporação. Não por acaso, quando o DEIC destaca dezenas de profissionais para acompanharem o ato, o fazem por ordem. Quando o DEIC “apreende” objetos que nunca foram dos presos…

Pois fica a questão, quando a polícia, capitaneada pelo Secretário de Segurança, forja flagrante, qual a resposta da lei para esses indivíduos? 

Polícia procura bodes expiatórios

As prisões destes manifestantes ocorrem em um momento oportuno para a Polícia Civil. O DEIC, departamento responsável pela administração de um inquérito que está investigando a vida de diversos manifestantes, ainda não conseguiu apresentar provas suficientes que emplacasse em uma ação penal contra qualquer deles.

A insuficiencia probatória, que já foi objeto de crítica de diversos órgãos de Direitos Humanos, demonstra a completa objetivação política de criminalização das manifestações populares dentro deste inquérito. O judiciário tem se demonstrado cauteloso e desconfiado quanto o material apresentado pela Polícia Civil, que vem tentando imputar a qualquer pessoa a qualidade de “Black Bloc”.

Após diversos casos envolvendo depredação de patrimônio e a baixa efetividade deste inquérito, a Polícia Civil tenta mostrar serviço durante as manifestações de rua. O DEIC destacou diversos investigadores de polícia e delegados para acompanharem o ato desta segunda-feira, dia 23, na procura de algum alvo em potencial que pudesse servir de exemplo de punição. Fato este resultou na detenção, ainda injustificada, de dois manifestantes, que permanecem presos

Até quando acontecerá a exposição de manifestantes como bode expiatório midiático? O judiciário não se demonstrou conivente com os abusos perpetrados pelas polícias e com os interesses do governo diante da criminalização das manifestações. Entretanto, quando os mandantes serão responsabilizados por assassinarem a reputação social daqueles que são presos indevidamente e superexpostos nos telejornais?

Deixe aqui o seu comentário